O Apple Watch Ultra 4 chegou ao mercado em 9 de setembro de 2026, disponível para compra desde o dia 14 do mesmo mês. Por fora, o relógio é praticamente idêntico ao Ultra 3, mantendo a mesma caixa de titânio de 49mm e as mesmas opções de acabamento. A mudança real fica por dentro, no novo chip S11 e num sistema de sensores redesenhado que promete monitorar a sua saúde com muito mais frequência ao longo do dia, mantendo o mesmo preço de lançamento do modelo anterior: R$ 10.499 no Brasil.
Nós reunimos dados de testes independentes publicados desde o lançamento, cruzamos com a ficha técnica oficial da Apple e comparamos com a experiência de quem já está usando o relógio no dia a dia para responder a pergunta deste review: o Apple Watch Ultra 4 é bom o suficiente para justificar a compra, seja como upgrade ou como primeira experiência com um Apple Watch?
- Sensor cardíaco contínuo a cada 5 segundos
- GPS de banda dupla à altura do Garmin Fenix 9
- Ganho real de bateria e carregamento rápido eficiente
- Modo Estendido Máximo mantém precisão total por até 45h
- Monitoramento de sono extremamente preciso
- Bug de reinicializações no lançamento (já corrigido)
- Metodologia de precisão de FC questionada por analistas
- Categorias de esporte ainda genéricas frente à Garmin
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Design e tela: a mesma pegada de sempre, agora mais resistente
O Apple Watch Ultra 4 mantém a caixa de titânio grau aeroespacial de 49 x 44 x 12mm, disponível nos acabamentos natural e preto. Colocado ao lado do Ultra 3, é praticamente impossível diferenciar os dois modelos sem olhar a etiqueta na caixa.
A tela é uma LTPO3 OLED sempre ativa, com 1.245mm² de área útil e resolução de 422 por 514 pixels, chegando a 3.000 nits de brilho máximo. Esse brilho é suficiente para leitura sob sol forte sem precisar fazer sombra sobre o pulso, ainda protegido por cristal de safira, mais resistente a arranhões do que o vidro convencional usado em outras linhas do Apple Watch.
Em resistência, o relógio segue certificado para mergulho recreativo e esportes aquáticos de alta velocidade, com resistência à água de 100 metros segundo a norma ISO 22810:2010, além da certificação militar MIL-STD 810H e proteção IP6X contra poeira. Ainda assim, nenhuma dessas certificações substitui cuidado redobrado em atividades como escalada em rocha ou esportes de contato direto.
Saúde: o sensor que finalmente entende o seu dia inteiro
Frequência cardíaca contínua a cada 5 segundos
O Apple Watch Ultra 3 media a frequência cardíaca em repouso a cada 5 minutos, economizando bateria às custas de um retrato incompleto do dia. O Ultra 4 muda esse comportamento com um sensor óptico e elétrico redesenhado, que passa a usar LEDs verdes em vez dos infravermelhos do monitoramento contínuo anterior, penetrando mais fundo na pele e permitindo leituras a cada 5 segundos, mesmo fora de um treino.
Essa amostragem mais frequente também muda a variabilidade da frequência cardíaca, a VFC, métrica ligada à recuperação do corpo. Antes atualizada a cada 2 ou 3 horas, agora ela é recalculada a cada 5 minutos, o que aproxima bastante a leitura do que está acontecendo no momento, em vez de entregar uma média distante da realidade.
Pontuação de Prontidão e a nova VFC de recuperação
A novidade mais visível desse novo sistema é a pontuação de Prontidão, exibida numa escala de 1 a 10 e atualizada ao longo do dia conforme sono, atividade recente e sinais vitais mudam. Em testes comparativos no mesmo dia, a pontuação do Apple Watch ficou próxima da bateria corporal do Garmin, do Hybrid Charge da Amazfit, da pontuação de recuperação do Whoop e do Oura Ring, todos girando pela mesma faixa relativa mesmo usando fórmulas diferentes.
Ao lado da Prontidão, o Ultra 4 ainda separa a VFC geral, usada para tendências de longo prazo, da nova VFC de recuperação, baseada na fórmula RMSSD e pensada para detectar quedas de curto prazo depois de um treino puxado. São duas leituras complementares, não uma substituindo a outra.
Sono e detecção de movimento
No monitoramento de sono, o novo sensor consegue diferenciar estar dormindo de estar deitado rolando o celular, um problema comum em outros smartwatches que contam qualquer imobilidade como sono. Em testes informais de passos falsos, como escovar os dentes, o Ultra 4 registrou apenas 2 a 3 passos, contra cerca de 200 registrados por um Garmin no mesmo teste.
Esportes e GPS: o que os testes independentes mostram
Onde o sensor de frequência cardíaca acerta
Testes do canal The Quantified Scientist, usando a cinta peitoral Polar H10 como referência, mostraram correlação de 1,00 em ciclismo indoor e de 0,99 em levantamento de peso, os dois exercícios em que o Apple Watch teve melhor desempenho entre os dispositivos avaliados pelo canal. Na contagem de passos, uma verificação manual de cerca de 5.000 passos resultou numa diferença mediana de apenas 5 passos, resultado consistente com o que a Apple já entregava no Series 12.
O ponto de atenção no GPS e na corrida
Na corrida, porém, a correlação caiu para 0,94 no mesmo teste, com desvios concentrados nos primeiros 5 minutos de atividade, quando o sensor aparentemente teve dificuldade para captar um sinal estável. O GPS também registrou um trajeto com desvios inconsistentes numa corrida específica, sem repetir o comportamento visto em testes anteriores do Ultra 3 do mesmo usuário, o que sugere um problema pontual, ainda não confirmado como falha recorrente.
A análise da DC Rainmaker traz um retrato mais favorável ao comparar o GPS do Ultra 4 diretamente com o Garmin Fenix 9 em trilha e estrada, com resultados praticamente idênticos entre os dois relógios, mesmo sem suporte a GLONASS no Ultra 4. O mesmo review, porém, questiona a forma como a Apple mede a precisão do próprio sensor de frequência cardíaca, já que a empresa descarta da comparação os trechos em que captou baixa confiança no sinal, deixando de fora falhas reais de até 20 segundos encontradas em uso.
Modo Estendido Máximo: até 45 horas de treino com GPS ativo
Para atividades longas, o Ultra 4 ganhou o modo Estendido Máximo, que promete até 45 horas de treino com GPS ativo em caminhada, corrida ou trilha, mas não em ciclismo. Ele mantém o GPS de banda dupla completo, usando as frequências L1 e L5, e ainda entrega frequência cardíaca óptica total, sem cortar precisão nesses dois pontos.
A economia de bateria vem de outros ajustes, como a tela sempre ativa desligada, a frequência cardíaca exibida como média móvel de 5 minutos em vez de tempo real, as zonas de frequência cardíaca desativadas e a distância atualizada em intervalos, não de forma contínua. O modo ainda funciona apenas dentro do app nativo de treino da Apple, o que deixa de fora qualquer aplicativo de terceiros que dependa de GPS em segundo plano.
Bateria: o que os números de marketing escondem
A Apple anuncia 50 horas de uso normal no Ultra 4, contra 42 horas no Ultra 3, o equivalente a 2 dias completos segundo a própria marca. Na prática, relatos de uso diário com tela sempre ativa ligada e monitoramento de sono ativo apontam um ganho real mais modesto, de cerca de meio dia a mais frente ao Ultra 3, saindo de aproximadamente 2 dias para 2 dias e meio de autonomia.
Em atividade com GPS, a Apple promete até 20 horas nas configurações padrão. Testes da DC Rainmaker mediram entre 18h33 e 18h47 de autonomia extrapolada em sessões contínuas, resultado levemente abaixo da promessa, mas dentro do esperado considerando o brilho da tela em ambientes de sol forte.
O carregamento rápido também avançou: 15 minutos na base já rendem 18 horas de uso, o suficiente para sair do banho com bateria de sobra para o dia inteiro. Vale destacar que o ganho de eficiência aparece mais na faixa inicial de carga, entre 5% e 50%, do que no tempo total até 100%.
Software: watchOS 27, o novo Apple Health e o bug que a Apple já corrigiu
O Ultra 4 chega com o watchOS 27 e um app Apple Health redesenhado, reunindo pontuação de sono, Prontidão, passos do dia e sinais vitais numa única tela inicial. A aba de longevidade organiza a saúde em 8 pilares e inclui um teste de VO2 Máximo feito pela câmera do iPhone, além de um recurso de idade saudável, que estima uma idade biológica a partir dos dados coletados e a compara com a idade real do usuário.
Outro recurso anunciado é o Audio Intelligence, que promete gravar e resumir conversas usando IA diretamente pelo relógio, mas que ainda não chegou de forma ampla aos dispositivos testados até a publicação deste review.
Dias após o lançamento, usuários do Series 12 e do Ultra 4 relataram reinicializações inesperadas, ligadas pelos diagnósticos ao Neural Engine do chip S11. A Apple lançou a atualização watchOS 27.0.1 em 23 de setembro de 2026 para corrigir o problema, que não afetou modelos anteriores da linha. Quem comprar o relógio agora deve instalar essa atualização antes de qualquer outra configuração.
Ficha Técnica
Ficha Técnica — Apple Watch Ultra 4
| Processador | |
| Chip | Apple S11 |
| Tela | |
| Tipo | LTPO3 OLED sempre ativa |
| Resolução | 422 x 514 pixels |
| Brilho máximo | 3.000 nits |
| Proteção | Cristal de safira |
| Caixa e resistência | |
| Dimensões | 49 x 44 x 12 mm |
| Material | Titânio grau aeroespacial (natural ou preto) |
| Resistência à água | 100 m (ISO 22810:2010) |
| Certificação militar | MIL-STD 810H |
| Proteção contra poeira | IP6X |
| Bateria | |
| Uso normal | Até 50 horas |
| Modo baixo consumo | Até 84 horas |
| Modo Estendido Máximo (GPS ativo) | Até 45 horas |
| Carregamento rápido | 15 min = 18 horas de uso |
| Conectividade | |
| Rede | GPS + Cellular |
| GPS | Banda dupla (L1 + L5) |
| Preço | |
| Lançamento no Brasil | R$ 10.499,00 |
Vale a pena? Para quem é o Apple Watch Ultra 4
Se você já tem um Ultra 3, dificilmente vai sentir diferença no dia a dia a ponto de justificar a troca, já que boa parte do ganho está concentrada na frequência de leitura dos sensores, não na precisão em si. Já quem ainda usa o Ultra 1 tem um motivo concreto para migrar, porque esse modelo ficou de fora da lista de compatíveis com o watchOS 27 e vai perder acesso aos recursos mais recentes.
Para quem nunca teve um Apple Watch e está decidindo entre ecossistemas, o Ultra 4 entrega o pacote mais completo da linha até aqui, com sensor de frequência cardíaca contínuo, GPS de banda dupla e uma bateria que aguenta rotina de treino sem preocupação constante com o carregador. Já para quem prioriza autonomia de bateria acima de qualquer outro recurso, relógios dedicados como Garmin, Coros, Suunto e Amazfit ainda saem na frente, com dias ou semanas de uso contínuo em vez de horas.



