O Amazfit Cheetah 2 Ultra é o relógio mais ambicioso que a Amazfit já lançou. Com carcaça de titânio grau 5, vidro de safira, lanterna LED embutida, mapas topográficos offline e bateria de 30 dias no modo smartwatch — tudo por pouco menos de R$ 3.200 — ele entra de frente na disputa com o Garmin Fenix 8 e o Garmin Forerunner 970. A proposta é clara: hardware premium, preço menor, sem abrir mão das funcionalidades que corredores de trail e ultra precisam.
O relógio saiu recentemente, em maio de 2026, e já foi testado em condições reais de campo — florestas densas, pistas de atletismo e treinos de trilha. Os resultados mostram um produto que surpreende em GPS, autonomia de bateria e navegação. Mas existem pontos de atenção que valem a conversa antes da compra.
Pontos Fortes
- ✓ Carcaça e fundo de titânio grau 5 + vidro de safira — construção verdadeiramente premium
- ✓ Bateria de 30 dias no uso típico e 60h de GPS multi-band contínuo — supera o Garmin Fenix 8 Pro
- ✓ Mapas topográficos offline com curvas de nível + roteamento completo — funciona dentro dos modos de treino
- ✓ Lanterna LED na carcaça — com modo vermelho e sinal SOS
- ✓ 64GB de armazenamento para músicas, mapas e rotas
Pontos Fracos
- ✕ Sem ECG — ausência crítica em relógio nessa faixa de preço
- ✕ Caixa de 47,4mm e 52g — pesado demais para pulsos finos
- ✕ Sem suporte a streaming de música (Spotify) — apenas arquivos MP3 locais
- ✕ Análise de treino do app Zepp ainda abaixo do Garmin Connect em profundidade
Design e Construção: quando Amazfit resolveu não economizar
A primeira coisa que chama atenção ao segurar o Cheetah 2 Ultra é a sensação de densidade — não de peso excessivo, mas de solidez. A carcaça, moldura e o fundo são todos em titânio grau 5, o mesmo material dos relógios de expedição profissionais. O vidro de safira na frente elimina qualquer preocupação com arranhões do dia a dia.
A caixa tem 47,4mm de diâmetro e 15,6mm de espessura, com 52g sem a pulseira. Para referência: é ligeiramente maior que o Garmin Fenix 8 de 47mm. Não é um relógio discreto. Para pulsos com circunferência abaixo de 165mm, o visual pode ficar desproporcional — vale experimentar antes de comprar.
A caixa vem acompanhada de dois tipos de pulseira: silicone clássico e nylon ajustável. As pulseiras usam encaixe de 24mm (não o padrão de 22mm), então a troca por terceiros exige atenção na hora de comprar. A lanterna LED no topo da caixa é acionada segurando o botão superior — um detalhe que, na prática de trilha noturna, vale muito mais do que parece no spec sheet.
A tela AMOLED de 1,5 polegada com resolução 480×480 pixels e pico de 3000 nits é um dos destaques visuais. Apenas o Apple Watch Ultra chega a patamares de brilho semelhantes. Nenhum Garmin convencional se aproxima — com exceção do Fenix 8 com microLED, claro.
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GPS, Navegação e Performance em Trail: o diferencial real
O Cheetah 2 Ultra usa GPS dual-band com antena polarizada circularmente e suporte a seis sistemas de satélite (GPS, BDS, GLONASS, Galileo, QZSS, NavIC). Em testes de campo em florestas densas — o ambiente mais exigente para GPS — o relógio manteve rastreamento limpo e preciso, sem os desvios de percurso comuns em relógios de entrada.
O que realmente diferencia o Cheetah 2 Ultra de outras opções na faixa é o sistema de navegação: mapas topográficos offline com curvas de nível, pontos de interesse, trilhas menores e mapas de estações de ski. O roteamento completo — geração de novas rotas diretamente no relógio, recalculo automático se você sair do percurso, navegação até locais específicos ou ao ponto mais próximo de uma categoria — é algo que, até agora, apenas a Garmin oferecia com essa maturidade.
A novidade desta versão: a navegação funciona diretamente dentro dos modos de treino, sem precisar sair para o app de mapas. Na prática, você pode iniciar um treino de trail, explorar o entorno, gerar uma rota de volta ou navegar até um ponto específico sem pausar a atividade.
O modo de trail running calcula carga de treino considerando elevação, resistência do terreno e variações de altitude — métricas que refletem o esforço real de montanha muito melhor do que ritmo ou FC isolados. Para ultras e provas de montanha, o relógio exibe um gráfico de dificuldade do perfil de elevação da rota antes de iniciar.
Saúde e Métricas de Treino
O sistema de saúde do Cheetah 2 Ultra vai além do básico de FC e SpO2. O BioTracker Score (0 a 100) funciona como uma “bateria interna” do corpo — similar ao Body Battery do Garmin — indicando quanto de energia você tem disponível no momento. A novidade desta geração é o Hybrid Charge, que combina dados físicos com estado mental e carga psicológica percebida pelo usuário. O resultado é uma métrica mais personalizada do que qualquer sensor sozinho consegue entregar.
Para análise de treino, o relógio monitora carga aeróbica e anaeróbica, potência de corrida em watts, VO2 máx, limiar de lactato e métricas biomecânicas como tempo de contato com o solo e oscilação vertical. A análise de fadiga e aptidão no app Zepp divide a carga aguda (últimos 7 dias) da crônica (longo prazo), gerando um indicador de status de treino.
Ponto negativo relevante: não há ECG. Para um relógio no patamar de R$ 3.200, a ausência do eletrocardiograma é uma lacuna real — o Apple Watch Ultra 3 e alguns Garmin dessa faixa já incluem a funcionalidade. A Amazfit ainda não implementou ECG em nenhum modelo de sua linha.
A precisão da FC óptica nos testes foi excelente em corridas de ritmo constante e na maioria dos treinos de força. O único ponto fraco foi em treinos intervalados com mudanças bruscas de intensidade — o sensor óptico subestimou a FC em alguns momentos. Para treino por zonas com tiros muito curtos, um monitor de peito Bluetooth ainda é recomendado.
Funcionalidades Smart e Conectividade
O Cheetah 2 Ultra traz microfone e alto-falante embutidos para chamadas telefônicas diretamente no pulso. O assistente Zepp Flow, alimentado por ChatGPT, responde perguntas e controla o relógio por voz — e nos testes foi notavelmente mais rápido e responsivo do que a maioria dos assistentes em smartwatches concorrentes.
O Zepp Pay oferece pagamentos por aproximação (NFC). O armazenamento de 64GB comporta músicas, mapas e rotas com folga. O ponto negativo é a ausência de streaming: sem Spotify, Deezer ou similares nativos — a música precisa ser transferida manualmente em formato MP3. Para ultramaratonistas que passam horas ouvindo música no relógio, isso é uma limitação real. Também não há opção LTE — a conexão com a internet depende do smartphone pareado.
Uma novidade frente ao restante do mercado: o Cheetah 2 Ultra já suporta o recurso de encaminhamento de notificações do iOS introduzido em junho de 2026 — na frente do Garmin, que ainda não implementou essa funcionalidade para iPhone.
Bateria: o argumento mais forte do Cheetah 2 Ultra
A bateria de 780 mAh entrega números que poucos relógios de qualquer marca conseguem igualar. Até 30 dias no modo smartwatch, 60 horas com GPS dual-band ativo, 33 horas no modo trail running com navegação contínua e até 228 horas em modo de economia máxima de GPS.
Em testes de campo reais, a projeção chegou a 55 horas de GPS — acima dos 40-45h do Garmin Forerunner 970 e bem à frente da maioria dos concorrentes diretos. Com uso intenso no dia a dia, consegue-se facilmente 20 dias antes de recarregar. A recarga é rápida: 80% em 40 minutos, carga completa em 85 minutos.
Para corredores de ultra que precisam de autonomia em provas de 24h ou 48h, o Cheetah 2 Ultra é atualmente um dos melhores do mercado nesse quesito — e supera o Garmin Fenix 8 Pro nas mesmas condições de uso.
Ficha Técnica
Vale a pena? Para quem é o Amazfit Cheetah 2 Ultra
O Amazfit Cheetah 2 Ultra é, sem dúvida, o melhor relógio que a Amazfit já fabricou. Construção de titânio verdadeiro, sapphire, bateria que supera o Fenix 8 Pro, mapas topográficos offline com roteamento completo, lanterna LED e uma tela que rivaliza com o Apple Watch Ultra em brilho. Por US$ 599 — contra os US$ 800 do Garmin Fenix 8 Pro ou os US$ 900+ do Apple Watch Ultra 3 — o custo-benefício é real.
O relógio é construído para corredores de trail e ultra que precisam de autonomia extrema, navegação confiável em terrenos remotos e dados de treino avançados. Se você compete em provas de montanha, ultras de 24h ou simplesmente quer um relógio que dure um mês sem recarregar com tela AMOLED, o Cheetah 2 Ultra justifica o preço frente aos concorrentes diretos.
Mas é honesto dizer que as limitações existem. A ausência de ECG é inaceitável nessa faixa de preço. O app Zepp ainda não chegou no mesmo patamar de análise do Garmin Connect para atletas que vivem de dados. Sem streaming de música e sem LTE, ele se mantém como relógio de esporte — não de smartwatch completo. E a carcaça de 47,4mm não é para todo pulso.
Compre o Amazfit Cheetah 2 Ultra se: você faz trail running ou ultra, precisa de GPS com navegação real em terrenos difíceis, quer bateria que dure provas longas sem preocupação, e prefere economizar R$ 1.000 a R$ 2.000 em relação às opções Garmin equivalentes.
Considere outras opções se: você precisa de ECG, quer streaming de música nativo, prefere um relógio menor e mais leve, ou a profundidade analítica do Garmin Connect é indispensável para o seu treino.



