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O Amazfit Balance 2 chega ao mercado com uma proposta direta: entregar o que os relógios esportivos premium fazem, por uma fração do preço. A US$ 299, ele compete no papel com o Garmin Forerunner 970 e o Fenix 8, que custam de US$ 600 a US$ 900 dependendo do modelo. Nós testamos o Balance 2 por semanas e levantamos os dados de desempenho de GPS, frequência cardíaca e sono para responder se ele realmente entrega o que promete.
A resposta curta é sim, com ressalvas. Confira abaixo o que o relógio faz bem, o que ainda precisa melhorar e para quem ele faz sentido.
O Balance 2 tem 47,4 mm de diâmetro e 12,3 mm de espessura, chegando a 40 g sem a pulseira e 60 g com ela. A estrutura usa alumínio nos lados e polímero reforçado com fibra no corpo principal, o que mantém o peso controlado sem abrir mão da resistência. A pulseira de 22 mm tem liberação rápida, compatível com qualquer pulseira de terceiros do mesmo tamanho.
A resistência à água chega a 10 ATM e o relógio tem certificação de mergulho até 45 metros, então você pode usá-lo em mergulhos recreativos sem preocupação. O caso vem em apenas uma cor, grafite escuro com leve reflexo azulado na borda, e a Amazfit inclui duas pulseiras na caixa: uma preta padrão e outra na cor lava, um laranja escuro que fica bem.
Os dois botões laterais são bem posicionados. O botão inferior abre direto o menu de atividades e o superior serve tanto para navegar pelas opções quanto como coroa digital, que você gira para rolar pela interface. A resposta da coroa é precisa e tem feedback háptico a cada clique.
O Balance 2 tem tela AMOLED de 1,5 polegadas com resolução de 480×480 pixels e brilho máximo de 2.000 nits, chegando a 500 nits a mais que o modelo anterior. Na prática, isso significa que você consegue ler todos os dados no pulso mesmo em plena luz do sol, sem precisar fazer sombra com a mão. A tela touch responde bem e com velocidade comparável a um Apple Watch, sem delay perceptível ao navegar pelos menus.
O vidro é de safira, o mesmo material usado no Garmin Fenix 8, o que torna a tela praticamente imune a arranhões do uso diário. O ponto negativo é que a superfície acumula impressões digitais com facilidade, exigindo limpeza frequente na camiseta. Um dos revisores científicos do watch também apontou que em luz solar muito direta a tela pode parecer levemente lavada, um comportamento diferente do resto dos testes, onde o brilho deu conta bem.
O Balance 2 tem mais de 170 modos esportivos, de corrida e ciclismo até xadrez, mergulho livre e kite. Durante o treino de força, o relógio detecta automaticamente o exercício e conta as repetições. Em movimentos clássicos como rosca bíceps e supino, a detecção funciona bem. Para movimentos mais específicos, a precisão cai, mas você consegue corrigir tudo depois no app.
A Amazfit é parceira oficial do Hyrox e o Balance 2 tem o único modo dedicado ao evento entre os smartwatches disponíveis, registrando cada estágio da prova de forma similar a um triathlon. Para golfistas, há mais de 40.000 campos disponíveis para download com mapas detalhados, metragem até o buraco e placar integrado.
A navegação offline funciona com mapas topográficos que você baixa pelo app Zepp antes de sair. Os mapas têm nomes de ruas, curvas de nível e marcadores de altitude, rolando de forma bastante fluida sem lag perceptível. A limitação é que os mapas não calculam rota no pulso: você precisa carregar um arquivo GPX gerado no Strava, AllTrails ou outra plataforma de terceiros. O app da Amazfit ainda não tem um construtor de rotas próprio.
O Zep Flow, assistente de voz baseado no ChatGPT, funciona pressionando o botão superior. Você consegue alterar volume e brilho, iniciar atividades, ligar a lanterna, fazer perguntas gerais e controlar várias funções do relógio por voz. É um dos assistentes de voz mais responsivos testados em smartwatches até agora.
O relógio tem speaker e microfone integrados para chamadas e reprodução de música. O armazenamento interno de 32 GB guarda arquivos MP3 e mapas offline. Não há suporte a Spotify, Deezer ou qualquer streaming, então você precisa carregar as músicas manualmente.
O NFC existe via Zep Pay, mas depende de conexão com o smartphone para funcionar. O Balance 2 não tem LTE, então todas as funções conectadas exigem o celular por perto.
O Biocharge é a métrica de energia do dia, indo de 0 a 100. Quando você acorda, o valor está cheio. Ao longo do dia ele cai de acordo com atividades físicas, estresse e sono. É dinâmico e se atualiza em tempo real, o que o diferencia do antigo Readiness Score que o Balance 1 usava, este era estático e muito generoso.
Nos testes, o Biocharge teve comportamento bem parecido com o Body Battery do Garmin, caindo mais rápido em dias de treino intenso e subindo após noites de sono qualidade. Se você bebeu álcool na véspera, o Biocharge reflete isso no dia seguinte. O relógio ainda tem o Readiness Score antigo, mas aparece no fundo da tela e parece em processo de eliminação.
O Balance 2 também traz um painel de Exerção, mostrando carga de treino aguda e crônica, status de fadiga e nível de condicionamento. Os valores ainda têm instabilidade em alguns dias, mas a tendência geral é confiável para orientar a intensidade dos treinos.
O relógio rastreia fases do sono, HRV noturno, frequência cardíaca de repouso e temperatura da pele. A duração total do sono ficou bem próxima de relógios como Apple Watch Ultra 2, Garmin Forerunner 965 e Suunto, com diferença de poucos minutos nas noites comparadas.
O problema fica no REM. Em testes científicos com eletrencefalograma como referência, o Balance 2 acertou o REM em apenas cerca de 30% das vezes, classificando o restante como sono leve. É um resultado fraco, mas bem parecido com a maioria dos smartwatches, incluindo modelos Garmin e Polar. Os únicos que fazem isso bem são Apple Watch, Oura Ring e alguns Fitbit. Se o rastreamento de fases do sono for prioridade, o Balance 2 não é o melhor candidato.
O sensor BioTracker 6.0 PPG tem cinco fotodiodos e dois LEDs. Em ciclismo indoor, a correlação com o Polar H10 (ECG de referência) chegou a 0,99, um resultado excelente. Em corrida, ficou em torno de 0,95, com algumas divergências pontuais, mas dentro do aceitável para um sensor de pulso.
No ciclismo ao ar livre, a correlação caiu para 0,9, ainda no limite do aceitável. Em musculação, os picos de frequência cardíaca não foram detectados corretamente na maioria das séries. Para treinos de força, um monitor externo de pulso ou cinta torácica entrega dados bem mais confiáveis.
O VO2 Max calculado ficou em torno de 49 a 51 nos testes, enquanto os valores reais medidos em laboratório ficavam entre 56 e 60. É uma diferença relevante para atletas que usam esse dado como referência de condicionamento.
O Balance 2 tem GNSS de banda dupla com suporte a seis constelações de satélites. Nos testes de corrida, as distâncias ficaram muito próximas das medidas por Garmin Forerunner 965, Suunto e Coros, com diferenças de centésimos de milha em percursos de 8 a 13 milhas.
Em rotas de ciclismo urbano repetidas quatro vezes, os traçados ficaram consistentes na maior parte do percurso, com algumas divergências pontuais entre sinalizações. Nada que comprometa os dados de pace e velocidade, mas um grau abaixo dos melhores Garmin em termos de repetibilidade exata.
A bateria de 658 mAh dura até 21 dias no uso típico com brilho automático, um salto em relação aos 14 dias do Balance 1. Com uso intenso, GPS diário e tela sempre ativa, a duração cai para cerca de 10 dias. No modo GPS preciso de banda dupla, o relógio aguenta até 33 horas de atividade contínua. Com GPS economizador de energia, chega a 67 horas.
O carregamento usa um puck magnético proprietário que se conecta por cabo USB-C, o cabo em si não vem na caixa. A Amazfit usa o mesmo carregador em vários produtos da linha, incluindo o Helio Strap, o que facilita a vida de quem tem mais de um dispositivo.
Ficha técnica completa — maio/2026
Para quem quer um relógio esportivo completo sem pagar R$ 4.000 ou mais, o Balance 2 é uma das opções mais equilibradas do mercado em 2026. Ele entrega tela de safira, GPS de banda dupla, mapas offline, speaker, microfone, Biocharge e mais de 170 modos esportivos a uma fração do preço dos concorrentes premium.
Os pontos negativos são reais: sem ECG, sem streaming de música, mapeamento sem roteamento no pulso e rastreamento de REM fraco. Para corredores, ciclistas e triatletas que querem dados confiáveis de treino sem precisar de um Garmin, o Balance 2 faz sentido. Para quem treina pesado com pesos e depende da frequência cardíaca nas séries, vale considerar um monitor externo para complementar.
O preço ronda US$ 299 nas lojas internacionais. Verificar disponibilidade e valor atual na Amazon antes da compra.
✅ Pontos fortes: Tela AMOLED de 2.000 nits com vidro de safira, 21 dias de bateria, GPS de banda dupla preciso, Biocharge dinâmico, Zep Flow com ChatGPT, modo Hyrox exclusivo, carregador USB-C, 170+ modos esportivos, mapas offline com curvas de nível, resistência a mergulho de até 45 metros.
❌ Pontos fracos: Sem ECG, sem streaming de música, sem criação de rotas direto no app, mapas não roteáveis no pulso, rastreamento de REM fraco, VO2 Max subestimado, frequência cardíaca menos precisa em musculação, sem lanterna.