O Amazfit Cheetah Square chega ao mercado brasileiro como uma proposta direta para quem corre sério — ou quer começar a levar o treino mais a fundo sem desembolsar o valor de um Garmin top de linha. Com GPS de dupla frequência, tela AMOLED de 1,75 polegadas e design inspirado no Apple Watch Ultra, ele ocupa um espaço interessante: mais barato que o Garmin Forerunner 265, mais parrudão que o Coros Pace 3. Mas será que entrega o que promete na pista?
Testei o Amazfit Cheetah Square em treinos de corrida, caminhadas longas e uso diário por várias semanas. O resultado é um relógio com pontos fortes reais — especialmente no GPS e na tela — mas com algumas limitações que todo corredor precisa conhecer antes de comprar.
Pontos Fortes
- ✓ GPS dual-band com precisão de 99,5% segundo a Amazfit — rastreamento confiável mesmo em corredores arborizados
- ✓ Tela AMOLED de 1,75″ com até 1500 nits — totalmente legível ao sol direto
- ✓ Ultraleve: apenas 32g sem pulseira — imperceptível no pulso durante a corrida
- ✓ Zepp Coach com planos de treino adaptativos para 5K até maratona
- ✓ Música armazenada diretamente no relógio — treino sem celular
Pontos Fracos
- ✕ Sensor de frequência cardíaca óptico com lag em ritmos intensos — para treino por zonas de FC, use monitor de peito
- ✕ Sem mapas offline — navegação de rota limitada em comparação ao Garmin
- ✕ App Zepp menos maduro que o Garmin Connect para análise avançada de treino
Design e Display: leve, quadrado e muito brilhante
O Amazfit Cheetah Square pesa apenas 32 gramas sem pulseira — praticamente não se sente no pulso, mesmo em corridas longas. A caixa de alumínio com acabamento fosco tem visual esportivo sem ser grosseira, e o design quadrado remete ao Apple Watch Ultra, mas num pacote bem mais acessível.
A tela AMOLED de 1,75 polegadas é um dos maiores trunfos do relógio. Com resolução de 390×450 pixels e pico de 1500 nits de brilho, ela continua perfeitamente legível ao sol forte — algo que telas LCD simplesmente não conseguem entregar na mesma faixa de preço. Os menus são fluidos, a fonte é grande e clara, e as watchfaces esportivas mostram as métricas sem poluição visual.
A pulseira de silicone fluorelastômero é confortável e não irrita durante o suor. A troca é feita com engate rápido, compatível com pulseiras de 22mm padrão — fácil de personalizar.
Leia também
- › 10 Melhores Smartwatches até R$ 500 para Comprar em 2026
- › Amazfit T-Rex 3 é bom? Review completo do relógio de corrida que surpreende
- › GPS de dupla frequência vs. GPS simples: o que muda de verdade para quem pratica esportes?
- › Amazfit Balance 2 é bom? Review completo do smartwatch que desafia o Garmin
GPS e Performance de Corrida: o ponto alto do Cheetah
O nome Cheetah não é apenas marketing: a Amazfit equipou o relógio com a tecnologia MaxTrack™ de GPS dual-band, captando os sinais L1 e L5 dos sistemas GPS, BDS, Glonass e Galileo simultaneamente. Na prática, isso significa fixação de sinal mais rápida e menor deriva de percurso em ambientes urbanos com edifícios e árvores.
Nos testes comparativos com o Garmin Forerunner 255, o Cheetah Square mostrou traçado muito próximo em ruas abertas e parques. Em corredores com obstáculos, o Garmin manteve rastreamento mais preciso em avenidas ladeadas de prédios altos — mas a diferença foi pequena para a maioria dos treinos de rua.
As métricas de corrida disponíveis impressionam para o preço: ritmo em tempo real, cadência, comprimento da passada, potência de corrida, tempo de contato com o solo e oscilação vertical. São dados que, num Garmin, só aparecem na linha Forerunner 945 em diante — aqui estão disponíveis desde o primeiro treino.
O Zepp Coach oferece planos de treino adaptativos para corridas de 5K até maratona, com ajuste automático de carga baseado no desempenho recente. Quem quiser integrar com ferramentas externas, a compatibilidade com TrainingPeaks e Strava está disponível — ponto positivo para quem já usa essas plataformas.
Saúde e Monitoramento Contínuo
O Amazfit Cheetah Square traz o sensor BioTracker PPG de sexta geração para monitoramento contínuo de frequência cardíaca, SpO2 (saturação de oxigênio), estresse e ciclo de sono. No uso do dia a dia, os dados de repouso são confiáveis — a FC em repouso e durante o sono bate bem com monitores de referência.
O ponto crítico está no monitoramento da FC durante atividade intensa. Assim como em outros smartwatches com sensor óptico, há lag de alguns segundos para subida e descida de intensidade. Para quem treina por zonas de frequência cardíaca com intervalos curtos — como tiros de 400m — o ideal é usar um monitor de peito Bluetooth conectado ao relógio. Para treinos de longa duração e ritmo constante, o sensor óptico funciona bem.
O monitoramento de sono divide o descanso em fases (REM, leve, profundo) e dá uma pontuação de qualidade. A detecção das fases não é perfeita — nenhum sensor óptico de pulso é — mas serve bem como referência geral de tendência.
Sistema, App e Conectividade
O Cheetah Square roda o Zepp OS 2.0, que nesta geração ganhou mais fluidez de navegação e suporte ampliado a apps de terceiros. A interface é organizada — o menu deslizante acessa atividades, métricas e configurações sem muitas camadas. Há suporte a notificações do celular, controle de música e assistente de voz Alexa integrado.
O app Zepp (iOS e Android) é o ponto onde a Amazfit ainda está atrás do Garmin Connect. Os dados estão todos lá — volume de treino semanal, análise de sono, tendência de FC de repouso — mas a apresentação gráfica e a profundidade analítica são menores. Para quem já usa TrainingPeaks ou Intervals.icu, a sincronização automática resolve isso.
O relógio armazena até 4GB de música diretamente, dispensando o celular nos treinos. A conexão com fones Bluetooth funciona de forma estável. Sem NFC para pagamentos — quem usa muito essa função nos exercícios vai sentir falta.
Bateria: 14 dias no cotidiano, 26h de GPS contínuo
A bateria do Amazfit Cheetah Square promete até 14 dias de uso típico e 26 horas de GPS contínuo em modo de alta precisão. No GPS padrão (L1 apenas), a autonomia sobe para 44 horas. Na prática, com uso normal de notificações, monitoramento de saúde ativo e dois treinos por semana de 60 minutos com GPS, é possível passar de 10 a 12 dias sem carregar.
Para referência: o Garmin Forerunner 255 dura 14 dias no modo relógio e 30 horas de GPS — levemente superior. O Coros Pace 3 chega a 38 horas de GPS. O Cheetah não vence nesses números, mas para a maioria dos treinos semanais a autonomia é suficiente sem precisar carregar na noite anterior a uma corrida.
Ficha Técnica
Vale a pena? Para quem é o Amazfit Cheetah Square
O Amazfit Cheetah Square vale a pena para corredores que querem GPS dual-band de verdade, tela AMOLED visível ao sol e métricas avançadas de corrida sem pagar o preço de um Garmin Forerunner 265. Por volta de R$ 899, ele entrega um conjunto de recursos que, há dois anos, custaria o dobro.
O GPS é confiável para a grande maioria dos treinos urbanos e de parque. As métricas de corrida — potência, cadência, comprimento da passada — estão todas lá. O Zepp Coach funciona para quem quer um plano estruturado até a maratona. E a bateria de 14 dias garante que o relógio não vai pedir carregador no meio de uma semana intensa.
Onde ele perde para o Garmin e o Coros: o sensor de FC tem lag em intensidades altas, não há mapas offline e o app Zepp ainda não chegou na profundidade analítica do Garmin Connect. Se você treina por zonas de FC com muitos tiros curtos, vai querer um monitor de peito de qualquer forma — o que não é desvantagem exclusiva do Cheetah.
Compre o Amazfit Cheetah Square se: você está entrando no mundo dos relógios de corrida com GPS sério, quer AMOLED e dual-band sem gastar mais de R$ 1.000, ou está migrando de um básico como o Amazfit Bip e quer dar um salto de qualidade em métricas.
Considere outras opções se: você precisa de mapas offline para trilhas, treina por zonas de FC com intervalos curtos sem querer usar monitor de peito, ou precisa de integração nativa com plataformas mais avançadas como Garmin Connect IQ.



