Por menos de R$ 400, o Haylou Solar Ultra entrega GPS independente, tela AMOLED de 1,6 polegada com 1.000 nits, mais de 170 modos de atividade, bateria de longa duração e integração com o Strava. Para quem está começando a correr ou quer sair do modo de treino no celular, isso é bastante coisa por esse preço.
A pergunta real não é se ele tem muita função (isso tem); é se o que ele funciona bem o suficiente para entregar o que promete.
Design e tela
O Haylou Solar Ultra é um relógio grande. Com caixa em torno de 47–48 mm e corpo em liga de zinco, ele se aproxima do tamanho de relógios mais robustos como o T-Rex 3, da Amazfit. Para pulsos mais finos, pode ser desproporcional, para pulsos médios a grandes, o encaixe é confortável e o conjunto fica bem no pulso durante o dia e os treinos.
Apesar do tamanho, o relógio é leve, o que ajuda no uso prolongado e durante corridas. A pulseira de silicone é macia e flexível, com sistema de troca rápida padrão de 22mm. O acabamento metálico na coroa e nos botões laterais transmite mais qualidade do que o esperado para a faixa de preço.
A tela AMOLED de 1,6″ com resolução de 480×480 pixels e taxa de atualização de 60Hz é o ponto mais impressionante do produto. Com 1.000 nits de brilho máximo, a leitura ao ar livre em plena luz do sol é fácil, um diferencial real para corredores que precisam conferir pace e distância sem parar. A interface tem menus transparentes e fluidos, com boa organização dos atalhos. O único ponto de atenção é a ausência de ajuste automático de brilho: você configura o nível manualmente, o que na prática significa precisar ajustar sempre que muda de ambiente.
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GPS: o diferencial mais importante para quem corre
O GPS é o motivo principal pelo qual o Solar Ultra se destaca na faixa de preço. Ele tem GPS independente com suporte a cinco sistemas de satélite, o que significa que, além de poder correr sem precisar carregar o celular, o relógio registra o trajeto, calcula a distância e mostra o pace em tempo real no pulso.
Em testes realizados em corridas de rua, os resultados de distância ficaram próximos aos de relógios de topo de linha, inclusive em provas longas de corrida. Para corredores casuais que querem controlar quilômetros semanais e mensais, o GPS do Solar Ultra cumpre o papel.
Dois pontos de atenção para quem já está mais avançado na prática esportiva. O Solar Ultra não programa treinos intervalados. Quem usa planilha de treino com blocos de tiro e recuperação vai precisar fazer o controle manualmente, já que o relógio não executa sessões estruturadas. Além disso, quando a atividade é sincronizada com o Strava, os dados de saúde e performance chegam, mas o mapa de rota não é importado. Você terá o registro dos números no Strava, mas sem o traçado visual do percurso.
Para um corredor iniciante que quer apenas registrar treinos e ver evolução de distância, nenhum desses pontos é um problema real. Para quem analisa rotas e usa o mapa do Strava como parte da rotina de treino, é uma limitação importante.
Frequência cardíaca e monitoramento
O sensor de frequência cardíaca funciona bem em repouso e em atividades de intensidade constante. Em testes pontuais de SpO2 e batimentos comparados ao Huawei GT6 Pro, resultados ficaram muito próximos.
Durante a corrida, a estabilidade do sensor em intensidades variáveis é o ponto mais crítico. Há relatos de instabilidade em esforços mais altos, especialmente em mudanças bruscas de ritmo. Para treinos em ritmo constante, o sensor acompanha bem. Para atividades intervaladas com variações rápidas de frequência cardíaca, pode haver defasagem antes de estabilizar a leitura.
O monitoramento de SpO2 funciona de forma contínua, mas o relógio não alerta quando a leitura cai abaixo de um nível preocupante, o que é um problema. Você precisa acessar o menu manualmente para conferir o valor mais recente. Para uso fitness casual, isso não é um problema. Para monitoramento de saúde mais ativo, é uma limitação que vale conhecer.
Saúde e bem-estar
Além do GPS e do monitoramento de atividade, o Solar Ultra cobre um conjunto amplo de métricas de saúde. Monitora qualidade do sono, estresse por HRV, VO2 máximo, ciclo menstrual e hidratação. O sistema PAI, similar ao usado pela Amazfit, avalia o dia a dia e atribui uma pontuação de saúde baseada na atividade e nos dados coletados.
É importante entende que o smartwatch possui um bom conjunto de tracking de saúde, mas não sensores avançados e confiáveis o suficiente para essa finalidade. São métricas interessantes para serem acompanhadas no dia a dia, mas que não podem ser levadas em consideração para fins médicos.
O app Haylou Fun centraliza todos os dados e tem uma loja de watch faces para personalizar o visual. A interface do app é funcional e bem organizada, com histórico de treinos, resumo diário e exportação para o Strava. O ponto fraco do app é a ausência de análises mais profundas de treino e a impossibilidade de responder notificações diretamente pelo relógio.
Autonomia e recursos extras
A bateria de 450 mAh promete até 22 dias em modo econômico. No uso real, com GPS em alguns treinos, always-on display moderado e monitoramento de saúde ativo, a autonomia fica entre 7 e 14 dias dependendo do perfil. Com GPS ativo de forma contínua, a bateria suporta até 32 horas, o suficiente para ultramaratonas e dias de atividade intensa sem recarregar.
O carregador é magnético, o que facilita o encaixe, mas o ímã é apontado por usuários como frágil com o uso frequente. Tenha cuidado na hora de guardar guardar.
Entre os extras que diferenciam o Solar Ultra de concorrentes diretos estão a memória interna para músicas em MP3, que permite ouvir música conectado a um fone Bluetooth sem o celular durante o treino, e o álbum de fotos interno. Há ainda bússola, barômetro, altímetro, gravador de voz, modo Pomodoro, controle remoto de câmera, jogos, SOS de emergência e calculadora. São recursos que fazem o produto parecer bem mais completo do que o preço sugere.
Vale a pena? Para quem é o Haylou Solar Ultra
O Haylou Solar Ultra está disponível no mercado a partir de R$ 316, com variações até R$ 400. É uma compra certa para o corredor amador que está começando, alguém que quer registrar treinos, controlar quilômetros, ver evolução ao longo das semanas e ter um GPS que funciona sem depender do celular. A tela AMOLED grande facilita a leitura do pace durante a corrida, a bateria aguenta semanas de uso e a integração com o Strava resolve o histórico de treinos, mesmo sem o mapa de rota.
Não é a escolha certa para quem já treina com planilha, precisa de treinos intervalados programados no relógio, depende do mapa de rota no Strava ou exige GPS com precisão alta em qualquer condição. Para esse perfil, o Amazfit Bip 6 ou o Active 2 entregam mais consistência técnica, ainda que com preços mais altos.
Para o corredor que está dando os primeiros passos e quer um relógio com GPS de verdade sem gastar mais de R$ 400, o Haylou Solar Ultra é difícil de bater.



