Review

Suunto Race 2 é bom? Review completo do relógio que compete com Garmin e Coros

A Suunto levou quase dois anos para responder ao que o Race original não entregava. O Race 2, lançado em agosto de 2025, corrige os pontos mais criticados: sensor de frequência cardíaca redesenhado, processador duas vezes mais rápido, tela mais brilhante e caixa 7 gramas mais leve. O que não mudou é a proposta: um relógio para atletas que treinam sério e precisam de GPS confiável, mapas offline e autonomia que o Garmin Forerunner 965 não tem. Música offline e pagamentos por aproximação continuam fora. Para quem precisa dessas funções, o Race 2 não é o relógio certo.

Pontos Fortes

  • GPS de dupla frequência preciso, erro médio de 2,4 BPM comparado ao Polar Verity Sense
  • Tela AMOLED 1,5″ de 2.000 nits, legível sob luz solar direta
  • 55 horas de GPS dual-banda, melhor autonomia entre rivais com AMOLED
  • 32 GB de mapas offline gratuitos, sem assinatura
  • Caixa 7 g mais leve que o Race 1, com vidro de safira em ambas as versões

Pontos Fracos

  • Sem música offline e sem pagamentos por aproximação
  • UX menos intuitiva que Garmin, curva de aprendizado real
  • Preço acima de R$ 3.500, alto para um relógio sem smart features completas

Design e display

O Race 2 tem caixa de 49 mm com 12,5 mm de espessura, 0,8 mm mais fino que o antecessor, pesando 76 g na versão de aço ou 65 g no modelo de titânio. Os 10 g a menos do titânio são perceptíveis em treinos acima de 5 horas no pulso, tornando essa versão relevante para ultramaratonistas e triatletas. O vidro é de safira nos dois modelos, resistente a arranhões em contato com pedra ou asfalto.

A tela AMOLED tem 1,5 polegada com resolução de 466 × 466 pixels e pico de 2.000 nits, tornando a leitura de ritmo e frequência cardíaca viável contra o sol do meio-dia. A taxa de 120 Hz deixa os menus fluidos. A coroa física no lado direito é o controle principal de navegação, funcionando bem com luvas de corrida ou na chuva. O acabamento usa arco de aço inoxidável ou titânio com caixa em poliamida reforçada com fibra de vidro, mais leve que aço maciço e com rigidez suficiente para trilha e asfalto.

Fitness

O GPS usa dupla frequência com cinco sistemas de satélite: GPS, GLONASS, GALILEO, QZSS e BEIDOU. Em trilhas com árvores densas ou cânions urbanos, onde relógios com GPS de banda única perdem a posição, o dual-banda mantém o traçado. Para quem já usou um Forerunner 255 em trilha e teve desvio de rota no mapa, esse problema some na maioria dos casos.

O sensor de frequência cardíaca óptico foi reformulado. Comparado ao brazalete Polar Verity Sense em testes, a diferença média ficou em 2,4 BPM, dentro do aceitável para treino por zonas. O Race 1 tinha problemas conhecidos de precisão em esforço intenso, sendo essa atualização a mudança mais relevante do novo modelo para quem trabalha com FC. O relógio também estima potência de corrida sem sensor externo, usando acelerômetro e dados de GPS.

Os 115 modos esportivos cobrem corrida, ciclismo, natação, trilha, esqui e remo, com planos de treino integrados ao app e configuração de intervalos diretamente no relógio.

Saúde

O Race 2 monitora SpO2, variabilidade da frequência cardíaca e sono, gerando uma pontuação diária de recuperação que o app Suunto usa para sugerir o nível de esforço do dia, parecido com o Body Battery da Garmin e o Recovery Advisor da Coros. Para quem treina mais de cinco vezes por semana, esse dado ajuda a identificar dias em que forçar a carga é contraproducente.

O monitoramento de sono detecta fases leve, profunda e REM, com SpO2 noturna que pode indicar episódios de apneia. Leituras de SpO2 em smartwatches têm margem de erro de 2 a 3% em relação a oxímetros clínicos, sendo mais úteis como tendência geral do que como dado médico. O Race 2 não tem ECG, ao contrário do Apple Watch Series 10 e do Samsung Galaxy Watch 7.

Suunto Race 2

Smartwatch Esportivo

SUUNTO Race 2 GPS

Sistema, app e conectividade

O app Suunto organiza histórico de atividades, análise de carga de treino e planos de periodização, sincronizando com Strava, TrainingPeaks e Komoot. O relógio exibe notificações de chamadas e mensagens, mas responder pelo relógio é limitado, ponto em que o Garmin Forerunner 965 sai na frente com teclado virtual.

A UX tem curva de aprendizado real. A navegação por coroa mais botão traseiro é eficiente após alguns dias, mas não é tão imediata quanto o sistema de cinco botões do Garmin. Há comentários de usuários em fóruns de que ajustar campos de dados e criar treinos personalizados exige mais passos do que o esperado para um relógio nessa faixa. Sem NFC e sem armazenamento de música, o relógio depende do celular para streaming.

Bateria

O Race 2 entrega 18 dias no modo smartwatch com notificações ativas, FC contínua e monitoramento de sono. Com GPS de dupla frequência, a autonomia chega a 55 horas, o melhor resultado entre relógios com tela AMOLED. O Garmin Forerunner 965 tem 23 horas de GPS; o Coros Vertix 2 tem 65 horas, mas com tela transflectiva bem menos vívida.

Nos modos econômicos, onde o GPS passa a usar uma frequência só ou intervalo de amostragem maior, a autonomia sobe para 65, 90 ou até 200 horas. Para provas acima de 24 horas, o Race 2 cobre com dual-banda sem precisar recarregar. A recarga é por cabo proprietário magnético, com carga completa em cerca de 2 horas. Não há carregamento sem fio.

Ficha Técnica

Ficha Técnica — SUUNTO Race 2

Display
Tipo LTPO AMOLED 1,5″ — 466 × 466 px
Brilho máximo 2.000 nits
Taxa de atualização 120 Hz
Vidro Safira
GPS e Sensores
GPS Dupla frequência — GPS, GLONASS, GALILEO, QZSS, BEIDOU
Frequência cardíaca Óptico contínuo, erro médio 2,4 BPM vs. Polar Verity Sense
SpO2, barômetro, altímetro Sim
Bateria
Modo smartwatch 18 dias
GPS dual-banda 55 horas
Modo econômico máximo Até 200 horas
Geral
Dimensões 49 × 49 × 12,5 mm
Peso 76 g (aço) / 65 g (titânio)
Armazenamento de mapas 32 GB offline
Modos esportivos 115+
Preço médio R$ 3.500–4.000

Vale a pena comprar o Suunto Race 2?

O Race 2 faz bem o que se propõe: GPS preciso, tela brilhante, bateria que dura mais que qualquer rival com AMOLED e mapas offline sem mensalidade. Para corrida em trilha, ciclismo ou triathlon com saídas longas, o Race 2 tem poucos concorrentes diretos nesse conjunto de requisitos.

O Garmin Forerunner 965 tem UX melhor, música e pagamentos, porém entrega 23 horas de GPS e tela com menos da metade do brilho. O Coros Vertix 2 supera na autonomia bruta, mas a tela transflectiva fica bem abaixo na vivacidade e o sistema de saúde é menos completo. Para quem não abre mão de música offline ou pagamentos, nenhuma dessas opções resolve de vez, incluindo o Race 2.

O preço acima de R$ 3.500 é o filtro mais claro. Para atletas que usam GPS em saídas longas, o custo tende a se diluir ao longo do tempo. Para quem usa o relógio principalmente para notificações e passos, o Race 2 entrega menos do que rivais na mesma faixa de preço.

Willian Oliveira
Editor — Review Smartwatch
Apaixonado por tecnologia wearable e gadgets do pulso. Testa e avalia smartwatches há mais de 5 anos, com foco em saúde, performance e custo-benefício para o mercado brasileiro.